sexta-feira, 22 de abril de 2011

Casos de aplicações da Mª da Penha em conflitos gays.

20.04.11 - 08:55O Estado de SP - Justiça usa Lei Maria da Penha para punir gayDecisão polêmica foi criticada na...

Clarissa Thomé / RIO Criada para coibir a violência familiar contra a mulher, a Lei Maria da Penha foi aplicada em um caso de agressão doméstica envolvendo dois homens. O juiz Alcides da Fonseca Neto, da 11.ª Vara Criminal da...

Espaço Vital - 20 de Abril de 2011


Juiz aplica Maria da Penha à casal homossexual

Victor Carvalho Um juiz do Rio de Janeiro aplicou a Lei Maria da Penha para punir agressão envolvendo um casal de homossexuais. No caso em questão, o homossexual de iniciais R.F.S. está sendo acusado de causar lesões corporais...

Bahia Notícias - 20 de Abril de 2011


Lei Maria da Penha é aplicada em ação envolvendo casal gay

O juiz Alcides da Fonseca Neto, da 11ª Vara Criminal da Capital, aplicou a Lei Maria da Penha (11.340/2006), que criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, em um caso de lesão corporal...

Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro - 19 de Abril de 2011


TJ-RJ aplica Lei Maria daPenha em ação de casal gay

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) aplicou a Lei Maria da Penha em uma ação de lesão corporal envolvendo um casal homossexual. A informação foi divulgada pela assessoria do TJ-RJ, nesta terça-feira (19). Segundo o...

G1 - Globo.com - 19 de Abril de 2011


Lei Maria da Penha é aplicada a casal gay no Rio de Janeiro

SÃO PAULO - Um casal homossexual no Rio teve a Lei Maria da Penha aplicada em virtude de violência doméstica. A decisão do juiz Alcides da Fonseca Neto, da 11ª Vara Criminal do Rio, foi divulgada nesta terça-feira, 19, pelo...

Estadão - 19 de Abril de 2011


Lei Maria da Penha é aplicada em ação envolvendo casal homossexual

Embora a Lei Maria da Penha seja direcionada para os casos de violência contra a mulher, a proteção pode ser estendida para os homens vítimas de violência doméstica e familiar. O entendimento é do juiz Alcides da Fonseca Neto,...

Consultor Jurídico - 20 de Abril de 2011


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quinta-feira, 21 de abril de 2011

Sabedoria indígena

SABEDORIA INDIGENA!

Um velho índio descreveu certa vez seus conflitos internos: "Dentro de mim existem dois cachorros, um deles é cruel e mau, o outro é passivo e muito bom. Os dois estão sempre brigando." Quando então lhe perguntaram qual dos cachorros ganharia a briga, o sábio índio parou, refletiu e respondeu: "Aquele que eu alimento".¨Somente pela Luz aproximamo-nos da Luz¨ (Agni Yoga)

Ògún e seu poder sobre os metais

(Extraído do livro "Mitos Yorubás: O Outro Lado do Conhecimento" de José Beniste, com adaptações)

Os Òrìsà e o povo estavam vivendo na Terra criada por Òsàlà, e onde todos exerciam suas tarefas: a caça, a limpeza da terra para a agricultura, a plantação, a construção de suas casas, para abrigo de suas famílias. Tudo era feito com muita dificuldade por falta de ferramentas adequadas para o trabalho e, agora, mais ainda, pois as distâncias aumentavam, a cidade crescia para o lado das montanhas, com seus terrenos desnivelados por gigantescas rochas com caminhos inacessíveis.

Olhando o que tinha feito e o que estava por fazer, os Òrìsà discutiam a melhor solução para o problema. Diziam: "Deixe um de nós começar a tarefa, derrubando as árvores e limpando a terra. Depois poderemos plantar em nossos campos." Todos concordaram, exceto Olókun: "O meu domínio é a água. A terra e as árvores não são meus afazeres."

Òsányìn, o Òrìsà das folhas, disse: "Eu limparei primeiro os campos." E pegou a sua faca do mato, e partiu para as árvores, começando o seu trabalho. Mas a sua faca era feita de madeira e pedra, e, assim, ele não conseguia fazer o corte necessário. Após algum tempo de uso, ela quebrou. Òsányìn retornou e disse para os demais companheiros: "Eu comecei o trabalho, mas a madeira era tão dura que partiu a minha faca."


Òrìsà Oko, senhor dos campos livres, falou: "A minha faca é mais forte, e cortarei as árvores e destruirei as rochas." Em seguida, partiu para o trabalho, mas não conseguiu executá-lo como queria, pois a sua ferramenta não suportou a árdua tarefa. Disse então: "Aconteceu o mesmo comigo, a minha faca está cega e torcida."

Depois, Èsù, com seu corpo potente, armou-se com suas ferramentas e foi para o meio da floresta. Ali permaneceu por longo tempo e, quando retornou, seu semblante estava amarrado: "Eu limpei a terra e desloquei as rochas, mas o metal de minhas armas não é forte o suficiente para tal empreitada." Um por um os Òrìsà tentaram, mas não conseguiam fazer o que pretendiam. "Em que espécie de lugar estamos vivendo? Como poderemos sobreviver aqui?"


Até aquele momento, o único Òrìsà a se manter calado era Ògún, que observava todo o movimento sem nada dizer. Somente quando todos já haviam tentado, ele se levantou de onde estava e disse: "Nísisìyí àsìkò mi ni." ("Agora é a minha vez."). Dizendo isto, partiu para o campo. Executou o corte das árvores necessárias para a abertura dos caminhos; com potentes golpes destruiu as rochas, enquanto outras foram deslocadas para manter a terra livre das pedras. Toda a terra foi arada, amaciada e semeada. Deu novos caminhos, enquanto ia eliminando plantas desnecessárias. Ògún trabalhou até o final da tarde ininterruptamente. Quando terminou a sua obra, retornou para junto dos demais Òrìsà, que já o aguardavam. Lá chegando exibiu suas armas e ferramentas utilizadas. Estavam afiadas e intactas.

Diante do que viam, perguntaram: "Que metal esplêndido é este?" Ògún respondeu: "O segredo desse metal me foi dado por Olódùmarè. É chamado de Irin, o ferro." Os Òrìsà olhavam as ferramentas de Ògún com muita admiração, dizendo: "Se tivéssemos o conhecimento do ferro, nada para nós seria difícil." Ògún observou o interesse de todos, mas relutou em ensinar o seu segredo. "Olódùmarè não me autorizou", disse. Mas não se negou a fazer armas e ferramentas a quem lhe pedisse. Para isso, construiu uma forja em sua casa e passou a fabricar os diversos tipos de armas e instrumentos de trabalho, pois Ògún, além de guerreiro, era um grande caçador. A caça, até aquela época, era efetuada com armadilhas e armas bem leves, além de se contar com muita sorte nas empreitadas.

A relutância de Ògún continuava a incomodar os demais Òrìsà, que, embora estando com as novas armas criadas por Ògún, insistiam em conhecer o segredo de sua fabricação. Pensando no assunto, todos tomaram a iniciativa de dar a Ògún o título de Osìnmalè, o Chefe dentre as Divindades(osìn: chefe; irúnmalè: divindade). Considerando tudo isso, Ògún concordou com o pedido de todos. Passou a ensinar o processo de fazer a liga dos metais, a criação de armadilhas, ferramentas, lanças, espadas e facas.

Em pouco tempo, todos os Òrìsà eram possuidores do conhecimento do uso do ferro. E vieram pessoas de outras regiões para aprender, e Ògún ensinou tudo a todos. Embora Ògún tivesse aceito o cargo de chefia que lhe fora dado por todos os Òrìsà, ele continuava a ser o grande caçador que era, pois muitos dependiam de sua capacidade para sobreviver.E, assim, embrenhava-se floresta adentro a fim de caçar os animais de que tanto gostava. Vestia-se de roupas de couro presas por màrìwò, equipava-se com as armas de luta e seguia seu caminho.

A atividade de caçador era muito árdua, obrigando-o a ficar isolado vários dias, dormindo sobre a terra ou em árvores. Ògún abatia muitos animais, em constantes lutas. Quando saía da floresta, estava sujo, seu cabelo, embaraçado, e as peles que vestia ficavam rasgadas e manchadas do sangue de sua caça. Seguia o caminho de volta à cidade para reencontrar seus companheiros.

Certo dia, os Òrìsà, ao verem Ògún chegando daquele jeito, disseram: "Quem é este estranho todo sujo que vem da floresta? Certamente não é Ògún, o qual indicamos para ser nosso chefe." Eles ficaram descontentes com Ògún e continuaram: "Um chefe deveria se manter com dignidade, suas roupas deveriam ser limpas, e o seu cabelo, bem aparado. Você está indistinguível do mais humilde caçador de Ifè, e o ar à sua volta está empesteado de carne morta." Dizendo isso, concluíram: "O cargo que lhe demos, nós o tiramos agora. Você não é mais o nosso chefe."

Ògún, ouvindo aquilo replicou: "Quando vocês precisaram do segredo do ferro, souberam implorar-me para ser o chefe de todos. Agora que já são possuidores do poder, dizem que eu cheiro mal." Falando isso, Ògún foi até o rio mais próximo, tirou suas roupas sujas de pele de animal e banhou-se. Quando já estava limpo, vestiu suas roupas de màrìwò(folhas de dendezeiro depois de desfiadas mediante um ritual específico), pegou suas armas e partiu para a cidade de Ìré. Construiu uma casa embaixo de uma árvore de akòko, lá permanecendo solitário, mas fiel aos seus compromissos de se manter vigilante nas terras de Ilé Ifè.




Por que Oya tornou-se dona do cemitério

(Extraído do livro "Mitos Yorubás: O Outro Lado do Conhecimento" de José Beniste, com adaptações)


Olófin reinava em Ifè e tinha uma filha chamadaOya, que era desejada por Ìkú, a Morte. Ìkú era muito feio e estava sempre disposto a fazer o mal às pessoas. Seu costume preferido era levar qualquer pessoa para o cemitério, de onde ela nunca regressava. Certo dia ele foi até o palácio de Olófin e revelou seu desejo de casar-se com Oya. Olófin ficou surpreso com o pedido e lhe fez uma proposta: “Está bem, você poderá se casar com Oya, desde que se comprometa a trazer-me cem cabeças de gado.” Esta foi a maneira de se livrar de Ìkú, pois sabia que ele não poderia cumprir o pedido em razão de estar sempre sem dinheiro e nada ter na vida.


Ìkú, que era, por sua vez, muito esperto, se deu conta de que Olófin, na verdade, não queria lhe entregar Oya, e, então, pensou em fazer uma contraproposta: “Para que queres cem cabeças de gado se posso fazer-lhe uma oferta melhor? Posso lhe trazer um homem que vale mais do que todas as rezes juntas e que irá trabalhar para você o resto da vida.” Olófin lhe perguntou: “E quem é essa pessoa?” Ìkú revelou: “É Àwòrò, o conhecedor de todos os poderes do bem e do mal, os que curam e os que matam.”


Olófin aceitou o que foi proposto por Ìkú, porque sabia que Àwòrò era muito religioso e cumpridor de seus deveres, fazendo tudo que os Òrìsà mandavam. Era homem de poucos amigos, entre eles o Ògá(o mesmo que Ogan), e o Àgbò, o carneiro. Não bebia e nem jogava, e, o mais importante, não tinha nenhuma relação com Ìkú. Olófin não se preocupou, pois sabia que Ìkú não teria como obrigar Àwòrò contra a sua vontade.


Ìkú saiu de lá, pensando em como cumprir com o prometido, quando no caminho avostou Àgbò, o carneiro, vindo em sua direção. Aproveitou a oportunidade, contou-lhe a conversa que havia tido com Olófin e lhe fez uma promessa: “Se me ajudares, eu te asseguro que nunca te levarei para o cemitério, ou seja, nunca morrerás.” Àgbò, apesar de amigo de Àwòrò, aceitou a proposta de Ìkú, mas disse que precisaria da ajuda deÒgá, a quem deveria fazer-lhe a mesma promessa. Isto feito, Ògá se comprometeu a ajuda-lo. Eles iriam levar Àwòrò ao cemitério naquela mesma noite.


Nesse meio-tempo, Oya tomou conhecimento do acordo entre Olófin e Ìkú, e resolveu ir até a casa de Òrúnmìlà, para uma consulta. E ele lhe disse: “Ìkú poderá até conseguir o que deseja, mas a traição dos amigos porá tudo a perder. Você, porém, poderá salva-lo se for ao cemitério e enfrentar Ìkú.” Oya temia Ìkú e, mais ainda, o cemitério, mas decidiu não dizer nada.


Naquele momento, Àwòrò estava em seu trabalho religioso, realizando suas orações, quando foi orientado a não abrir a porta para ninguém depois de se deitar. Por isso, ao chegar em casa fechou as portas mais cedo do que de costume, observando que elas estivessem bem trancadas. Não levou muito tempo, quando ouviu baterem na porta. Recostou-se na cama perguntando quem poderia ser. Ògá se identificou, dizendo que trazia para ele doce de coco, pois sabia que ele gostava muito daquele doce. Mesmo assim Àwòrò disse que não iria abrir a porta, pois já estava deitado. Ògá voltou para Àgbò, perguntando o que fazer. Àgbò pegou o doce de coco e, chegando até a porta, disse: “Àwòrò, somos seus melhores amigos. Se você não pode sair, abra um pouco a porta para que possamos lhe entregar o doce de que tanto gostas.” Àwòrò sentiu um desejo muito forte, e falou consigo mesmo: “O que pode me acontecer se eu abrir um pouquinho a porta?” Desceu e foi abrir a porta, quando o agarraram e se dirigiram ao cemitério.


Era uma noite bem escura, e todos estavam com medo de entrar, mas não viram outro jeito. Não tinham avançado muito, quando diante deles se apresentou Ìkú em sua verdadeira forma: todos os ossos à mostra. Era pura caveira. Ao ver o susto nos olhos dos dois, Ìkú os acalmou e eles se recompuseram.
Contam que Àwòrò estava ali, mas que, no momento de ser entregue, surgiu entre os doisOya, em meio a ruídos de raios, coriscos e ventanias. Os três saíram correndo espavoridos. Aproveitando o momento, Oya, para libertar Àwòrò, disse-lhe: “O doce de coco quase lhe custa a cabeça.”


Àgbò, ao sair correndo, passou pelo palácio de Olófin feito um bólido. Olófin veio vê-lo passar, suspeitando que algo de anormal estava acontecendo. Chamou seus guardas e pediu que trouxessem Àgbò. Isto feito, exigiu que contasse o que havia acontecido. Quando Àgbò acabou de contar, Olófin mandou buscar Ìkú, Àwòrò, Ògá e Oya. Ao te-los todos à sua frente, falou-lhes: “Ìkú, com a sua maneira habitual de conseguir as coisas, o que de outra forma teria sido impossível, eu te condeno a que, de hoje em diante, não tenha amigos, nem bens, nem casa, nem nada. Que nunca sejas bem-vindo em nenhum lugar. Que vagues por todas as partes, por toda a eternidade em sua forma verdadeira.”


Olófin continuou em seu julgamento: “Àgbò, tu traíste o teu melhor amigo por querer a vida eterna; irás morrer quantas vezes um Òrìsà necessitar de ti. Quanto a Ògá, tu és culpado do mesmo delito; portanto serás condenado a que não descanses nunca e terás que estar à frente em todos os trabalhos que surgirem e sempre que for solicitada a tua presença. A ti, Àwòrò, eu não direi nada, pois o susto que passou por não obedeceres ao que os Òrìsà te determinaram já é o suficiente.”


E, por último, Olófin se dirigiu a Oya: “Tu salvaste a vida de Àwòrò e demonstraste a falsidade de dois amigos, mas sobretudo perdeste o medo de Ìkú. De hoje em diante serás a dona do cemitério e de tudo o que estiver dentro dele. Ìkú, que quis fazer-te mulher dele, de agora em diante será teu escravo e trabalhará para ti eternamente.” Dizendo isso, retirou-se satisfeito, certo de ter feito justiça.


NOTAS:

  • Olófin: Título que indica a função de um legislador e que vem de Oní, prefixo que indica posse ou comando, e Òfin, que significa lei. Oní + Òfin = Olófin. É um título dado a Olódùmarè, o Ser Supremo, como o Senhor das Leis Universais e, em outros casos, a Odùdúwà, como soberano de Ifè.
  • Ò: Significa: senhor ou mestre na sociedade Yorubá. No Brasil, a grafia foi modificada para Ogan, um cargo masculino nas casas de Candomblé, também chamado de Pai e merecedor de todas as distinções.
  • Ìkú: A morte. Na cultura yorubá é vista como personagem masculino.
  • Oya: Também conhecida como Yánsàn, princesa do reino de Irá. Òrìsà de características guerreiras idênticas às de Sàngó.
  • Àwòrò: é denominação usada para um sacerdote; literalmente, à: aquele, wò: que olha, orò: pelo ritual.

Por que saudamos Oya dizendo "Èpà Heyi"?

(Extraído do livro "Mitos Yorubás: O Outro Lado do Conhecimento" de José Beniste, com adaptações)


"Èpà Heyi!", é uma forma de saudar e acalmar Oya.


Sua origem se reporta ao rei Olúgbìjì, uma boa pessoa, mas que se encontrava em meio a uma rebelião. Consultando Ifá, foi informado que, em sua família, existia o culto a um Òrìsà que poderia ajudá-lo. Seu nome era Oya.


Foram-lhe feitas oferendas diversas, procurando sensibilizá-la. Oya aceitou tudo e se propôs a destruir os inimigos do rei. Mas um grupo de pessoas, sabendo de seu temperamento extremamente violento, pediu-lhe calma e lhe disse: "Se você continuar assim, irá destruir todo mundo."


Em face disso, foi-lhe sugerido que comprasse um escravo para assessorá-la e lembrasse às pessoas quando elas estivessem correndo perigo de vida, por infringir suas normas de conduta. Indicaram um escravo cujo o nome era Ehín, que em yorubá significa dente. "Este nome é horrível e vou mudá-lo", disse Oya.


Depois disso, sempre que Oya ficava furiosa, as pessoas passaram a chamar por Heyi, que, a partir daí, tornou-se a sua saudação. Èpà é uma interjeição exclamativa.



A Divinização de Sàngó

(Extraído do livro "Mitos Yorubás: O Outro Lado do Conhecimento" de José Beniste, com adaptações)
Natural da cidade de Tápà, região fronteiriça ao rio Níger, Sàngó foi produto da aliança desse povo com os habitantes de Ifè, pois nasceu da união de Òránmíyàn e Torosi, filha de Elénpe, rei de Tápà. Retornando mais tarde para a sua região,Òránmíyàn fundou a antiga cidade de Òyó, localizada próxima ao monte Àjàkà.


Sàngó passou a sua infância e juventude em terras Tápà, indo depois para outras cidades, conquistando uma delas, denominada Kòso, e lá assumindo a condição de líder do seu povo como Oba, seu rei. Mas o sonho de Sàngó era assumir o reinado de Òyó, nessa fase tendo como regente Dàda Àjàkà, seu irmão mais velho, que não estava à altura do cargo, por ser passivo e de certa forma indolente. Sàngó invadiu Òyó e destronou o irmão, que se instalou na cidade de Ìsele. Passou a ser o 3° Aláààfin de Òyó, permanecendo no trono durante sete anos, dando motivos a inúmeras histórias onde são reveladas suas façanhas e seus casos de lutas e paixões. Segue uma delas:


Sàngó, como soberano de Òyó, assumiu condições de guerreiro, pois essa fase, na vida do povo yorubá, era dedicada a conquistas, e com isso conseguiu que seu reino se expandisse a ponto de se tornar o soberano legítimo reconhecido por todos. Seus exércitos haviam dominado todos aqueles que lhes eram opositores e, assim, todos os demais reis reconhecem a sua supremacia.


Entre os guerreiros que participavam dos exércitos de Sàngó, dois de destacavam: Tìmì e Gbònkáà Èbìrì, que, por suas ações, eram conhecidos e respeitados por todos. Suas vitórias eram sempre lembradas, e isso passou a incomodar Sàngó, que dizia: “Sou o aláààfin de Òyó, o Oba dos Oba, e, apesar de meus exércitos conquistarem tudo, não é só a mim que o povo elogia.” Refletiu e começou a imaginar uma maneira de se livrar da força que os dois tinham junto ao povo de Ifè.


No dia seguinte, enviou um mensageiro à casa de Tìmì, pedindo o seu comparecimento no palácio. Tìmì atendeu prontamente ao pedido e se fez acompanhar por um tocador de atabaque, cantando poemas em seu louvor. Uma multidão de pessoas o seguiu, algumas delas dançando, pois esta era a forma de como as coisas agiam quando um grande herói de deslocava de um lugar para outro. Sàngó sentia-se agradecido pela lealdade de seu guerreiro nas batalhas, mas o ciúme e a gratidão conflitavam dentro dele. Assistir ao espetáculo das várias pessoas celebrando as grandes ações de Tìmì fez o coração de Sàngó ficar endurecido e, assim, decidir mandar Tìmì embora.


Com esse pensamento, Sàngó falou a Tìmì: “Na cidade de Èdè, as coisas não andam bem. Lá, a população não demonstra o respeito necessário aÒyó. Vá, estabeleça a ordem e oprima aqueles que buscam a desordem. Permaneça lá e seja a autoridade deÈdè.” Tìmì agradeceu a confiança e disse: “Grande Sàngó, eu farei o que me pede. Èdè voltará a ordem e será submissa a Òyó.” Em seguida, foi para casa se preparar para a viagem. Levou seus amuletos no pescoço e nos braços, pegou o arco e as flechas flamejantes que usava nas batalhas e que o faziam tornar-se invencível, montou seu cavalo e, com alguns guerreiros, seguiu para Èdè.


Sàngó pensou: “Agora eu me livrei de um dos heróis que, certamente, encontrará seu fim tentando conquistar Èdè.” Entretanto, notícias começaram a chegar informando que Tìmì e seus companheiros haviam lutado e derrotado os melhores guerreiros, trazendo a ordem à cidade e a todas as regiões fronteiriças. O nome de Tìmì havia se tornado maior do que antes e a cidade de Èdè desenvolveu-se como potência militar poderosa, repercutindo fortemente em Òyó, deixando Sàngó muito aborrecido.


Assim começou a elaborar um grande plano. Mandou chamar o outro herói, Gbònkáà, e instruiu-o da seguinte forma: “Vá até Èdè onde Tìmì governa. Quando ele partiu daqui, prometeu tornar a cidade submissa a Òyó. Em vez disso, ele a fez altiva e vaidosa, como seÒyó fosse uma aldeia sem nenhuma importância. Vá e derrote-o. Traga-o de volta, usando os seus poderes.”


Ouvindo tudo com atenção, Gbònkáà disse que não tinha raiva de Tìmì. E, assim falou a Sàngó: “Grande aláààfin, eu ouço o que quer que eu faça, mas lembre-se de que eu e Tìmì combatemos juntos. A dor de um sempre foi a dor do outro. Quando um de nós se feria, o outro ajudava. Aliviamos a nossa sede no mesmo copo. Como posso lutar contra Tìmì? Um de nós certamente morrerá.” Sàngó respondeu que já havia pensado nisso e elogiou o poder de Gbònkáà, dizendo que ele era muito eficaz e que iria vencer sem causar nenhuma morte. O que Sàngó tinha em mente era a certeza de que, quando dois heróis se encontrassem em combate, certamente um deles morreria, e, assim, ficaria mais fácil para ele enfrentar apenas um.



Gbònkáà respondeu a Sàngó: “Eu irei atéÈdè e falarei com Tìmì como se fala com um companheiro de muitas batalhas. Eu o convencerei a retornar.” Dizendo isso, seguiu para a sua casa, carregando consigo seus talismãs. Pegou o seu chifre de antílope, onde em seu interior mantinha um de seus grandes poderes ligados a encantamento. Depois partiu, tendo a sua frente o tocador de atabaques cantando seus feitos e glórias.


Algum tempo depois, o povo de Èdè começou a ouvir os cânticos e os sons do atabaque. Viram com admiração a chegada de Gbònkáà. Ele era forte e violento, e o seu corpo estava quase todo coberto com sacolas de couro contendo a força de seus poderes. Na mão, trazia uma lança e, sob seu escudo, estavam as marcas tradicionais de seus feitos. O povo correu até a casa de Tìmì, gritando que Gbònkáà havia chegado e estava trajando roupas para uma batalha. Tìmì o aguardou na porta de sua casa. Gbònkáà se aproximou e foi dizendo: “Tìmì, meu companheiro de guerra. Sàngó enviou-me até aqui para levá-lo de volta para Òyó. Peço que se prepare para a viagem.” Tìmì respondeu: “Gbònkáà, você, que percorreu comigo muitas regiões, está de volta a Èdè; porém, não posso voltar com você, pois sou agora o Oba desta cidade. Quando Sàngó me mandou para cá, ele não disse para voltar. Portanto, não poderei acompanhá-lo.”


O diálogo estava sendo observado por toda a população, já preocupada com os acontecimentos. E, nesse clima, Gbònkáà respondeu: “Meu amigo, devo lhe dizer que Sàngó me orientou para o caso de que, se você não se decidir a vir, eu deverei levá-lo à força ou lutar para decidir o caso.” Tìmì se surpreendeu: "Gbònkáà, você teria coragem de usar suas armas contra mim? Eu sou seu companheiro e amigo de muitas batalhas." Embora lamentando, Gbònkáà foi irredutível: "Infelizmente terá de ser dessa maneira. Prepare-se, vamos lutar." Tìmì foi se preparar. Cobriu-se com seus preparados e proteção de seus talismãs. Em suas mãos, seu Ofà Iná(n), as flechas flamejantes.


O povo de Èdè suplicava aos seus heróis: "Vocês são como irmãos. Pensem nisso e não lutem!" Mas Tìmì disse: "Afastem-se e não cheguem até nós." Não havendo outra solução, recuaram. Os tocadores de atabaques dos dois heróis começaram a cantar louvores. Tìmì colocou a sua flecha de fogo no arco, em posição de ataque. Gbònkáà, atento, apenas segurou o seu chifre de antílope, onde trazia o seu poder de encantamento. E, enquanto fitava Tìmì, começou a recitar um determinado ofo, reza de encantamento, que terminava com as seguintes palavras:


Ewé ti a ba já lówó òtún
(Folhas apanhadas do lado direito)
Òtún níígbé
(São conservadas na mão direita)
Ewé ti a bá lówó òsì
(Folhas apanhadas do lado esquerdo)
Òsì níígbé
(São conservadas na mão esquerda)
A sùn fonfon ni tígi àjà
(Uma trepadeira fica sempre imóvel)
Ìwo, Tìmì! Sísùn ni kóosùn!
(Você, Tìmì! Fique imóvel, durma, não acorde!)


Imediatamente Tìmì entrou em sono profundo. Suas armas caíram de suas mãos e Gbònkáà aproximou-se dele com sua lança suspensa. Vendo Tìmì imóvel, abaixou-se e pediu ao povo para colocá-lo em cima de um cavalo, levando-o de volta para Òyó. Assim que chegou, foi direto para o palácio de Sàngó e disse: "Nós nos preparamos para a luta, mas antes que ele pudesse atirar sua flecha eu o coloquei para dormir." Sàngó pediu que o acordasse e, quando Tìmì se levantou, o povo começou a ridicularizá-lo com frases e risadas. Gbònkáà dispersou o povo e seguiu calmamente para casa.


Sàngó estava muito aborrecido, pois os dois heróis continuavam emÒyó. Pensou no assunto e mandou chamar Tìmì. "As coisas não estão bem", disse-lhe. "Pensei que você fosse derrotar Gbònkáà, mas deu-se o contrário. Ele o fez dormir com o poder que possui e, agora, o povo zomba de você. Você não pode ficar ouvindo o povo humilhá-lo diariamente. Isso não pode continuar. Se você desejar, anunciarei uma nova luta entre vocês." As palavras tocaram fundo em Tìmì, que estava sufocado pela humilhação. Então, ele falou: "Sim, eu me encontrarei mais uma vez com Gbònkáà, e a morte deverá vir para um de nós." E um novo encontro foi anunciado entre os dois guerreiros. Lutariam até a morte na praça principal de Òyó.


Na manhã seguinte, todos já estavam reunidos conforme o desejo de Sàngó. Os dois guerreiros, face a face, com seus tocadores cantando vitórias. Havia uma grande agitação. Tìmì atirou uma flecha flamejante de seu arco e, no exato momento em que a flecha iniciou sua trajetória, Gbònkáà apontou seu chifre de antílope para o Leste. A flecha então tomou o rumo do Leste. Tìmì lançou outra flecha flamejante, e Gbònkáà apontou seu talismã para o Oeste. E a flecha mudou de rumo novamente. Novas flechas foram atiradas, mas sempre desviadas pelo poder do talismã de Gbònkáà, contido dentro do chifre de antílope. Em meio a essa ação de defesa, Gbònkáà começou a entoar cânticos de encantamento para imobilizar Tìmì, e foi o que aconteceu. Tìmì caiu no sono, imóvel e em sono profundo. O povo fez alarido e os tocadores cantaram a vitória de Gbònkáà, que, em seguida, despertou Tìmì e se afastou do combate.


O resultado da contenda, mais uma vez, não agradou Sàngó porque ambos os heróis ainda permaneciam vivos. Mandou, então, chamar Gbònkáà e lhe disse: "A árvore foi curvada, mas ainda continua a crescer. Você tem curvado Tìmì, mas ele ainda vive; portanto, você deverá lutar novamente."


Furioso com o que ouvia, Gbònkáà respondeu a Sàngó: "Duas vezes eu lutei contra Tìmì para satisfazê-lo e duas vezes eu o derrotei. Isso não lhe tem agradado. Suponho que você nunca ficará satisfeito enquanto nós dois permanecermos vivos. Muito bem, lutarei a última vez com Tìmì. Depois, a luta será entre mim e você. Um de nós deverá deixar Òyópara sempre."


Desse modo, os dois heróis se defrontaram mais uma vez em combate. A multidão se reuniu novamente e os músicos tocaram seus cânticos. Sàngó sentou-se em uma cadeira no formato de um pilão, colocada sobre ela uma pele de leopardo. Uma nova agitação envolveu todos quando a luta começou. Da mesma forma como antes, Gbònkáà dominou Tìmì com seu encantamento e o fez adormecer. Com a sua espada ele cortou a cabeça de Tìmì e a jogou aos pés de Sàngó, dizendo: "Aqui está a cabeça que tanto querias." Sàngó se levantou bastante irritado e ordenou que seus guardas agarrassem Gbònkáà e o matassem utilizando o fogo.


Armaram uma enorme fogueira, amarraram Gbònkáà com cordas fortes e lançaram às chamas. O povo chegou próximo à fogueira para ver o herói morrer. Mas, para a surpresa de todos, viram-no levantar-se sobre o fogo e fixar os olhos em Sàngó. Quando as cordas que o atavam haviam sido consumidas pelo fogo, ele andou através das chamas sem que elas o queimassem. O povo de Òyó que a tudo assistia, ficou aterrorizado e começou a se dispersar. Somente Sàngó e sua mulher Oya permaneceram no local. Gbònkáà se aproximou de Sàngó, mostrou seu corpo sem uma só queimadura e disse: "Agora, Sàngó, tudo acabou para você em Òyó. Deixe a cidade dentro de cinco dias e nunca mais retorne." Em represália, Sàngó abriu sua boca, e uma enorme chama envolveu Gbònkáà; este, porém, resistiu a ela, não lhe causando qualquer dano. Vendo que nada poderia derrotar Gbònkáà, Sàngó retirou-se, então, para o seu palácio.


Quatro dias haviam se passado, e o povo de Òyó cantava canções de louvor a Gbònkáà, agora seu novo líder. Ao anoitecer do quarto dia, Sàngó demonstrou vontade de deixar Òyó sem luta, num exílio voluntário. Na escuridão da noite, acompanhado de Oya e seus criados fiéis, seguiu viagem em direção à cidade de Tápà, com o intuito de ficar com a mãe. Por sete anos Sàngó havia governado Òyó, dando-lhe grande esplendor de conquistas, e agora se retirava triste e abatido por ver o povo se voltar contra ele em detrimento de Gbònkáà, esquecendo-se de tudo que havia feito para todos.


Pelas florestas seguia a comitiva de Sàngó, que raramente falava. Estavam todos angustiados com os acontecimentos. Em meio à viagem triste e silenciosa, Sàngó começou a perceber a ausência de seus companheiros, a tal ponto que, em certos trechos, constatou que apenas a companheira Oya havia permanecido ao seu lado. Os demais haviam dispersado, tendo alguns voltado para Òyó. Ao deparar com essa situação, Sàngó fitou Oya e lhe disse: "Ko kin burú tìtí ki o ma enìkan mò ni." ("Por pior que alguém seja, há sempre quem goste da gente.")


Dizendo isso, pediu paraOya aguardá-lo no local e se retirou para o interior da floresta. Lá, pegou uma corda e amarrou numa árvore denominada àyàn, enforcando-se. Oya, que estava aguardando e, ao perceber que Sàngó demorava, resolveu ir até o local onde ele poderia estar. E lá o encontrou enforcado. Ficou desesperada e voltou para Òyó, gritando alto que Sàngó havia se suicidado. Os adversários de Sàngó se rejubilaram e fizeram festas pelo acontecido, gritando: "Oba so! Oba so!", que significa "o rei se enforcou". A partir daí, começaram a humilhar e a brigar com os adeptos de Sàngó.


Oya, com mais calma, foi procurar os Mógbà, auxiliares diretos de Sàngó, e com eles retornou à floresta. No local em que deveria estar o corpo de Sàngó nada foi encontrado. Ouviram, porém, a voz dele vinda de dentro da terra, dizendo que se havia transformado em Òrìsà e que deveriam voltar para Òyó, pois todos teriam uma lição de seu poder.


Lá retornando, relataram o que tinham visto e escutado, mas não deram importância e continuaram a festejar o acontecido. Até que, de repente, o céu começou a escurecer acompanhado de fortes ventanias; raios caíam em todas as direções e atingiam as casas da cidade, incendiando-as. Todos se assustaram com o que estava acontecendo, não sabendo explicar as razões da mudança repentina da natureza. A tempestade envolveu Òyó e fez as rochas se deslocarem, destruindo caminhos e causando mortes.


Em meio a todo esse clima, o Bàbáláwo da cidade foi convocado para descobrir a causa de tudo. "É Sàngó", disse ele. "Ele está zangado pela afronta que recebeu de seu povo." Em seguida, pediu que trouxessem oferendas para serem preparadas: aves, carneiro, azeite-de-dendê e orógbó. Seguiram para o local onde se sabia que Sàngó havia morrido e lá depositaram as obrigações. Ao mesmo tempo olharam para o céu e viram o sinal de aceitação de Sàngó, surgindo o seu símbolo de formato similar ao machado de dois gumes e denominado osé iná(n), formado pelos raios que brilhavam no espaço. Então, todos começaram a gritar: "Oba kò so! Oba kò so!" ("O rei não se enforcou!"), que passou a frase que simbolizava a fidelidade a Sàngó e que deveria ser sempre repetida. A partir desse momento, a natureza se acalmou com aquele ato de devoção e submissão.


O local se tornou desde então um santuário popularíssimo de Sàngó, nos arredores da atual Òyó, onde os sucessores dos reis e descendentes de Sàngó são tradicionalmente coroados. A árvore - igi àyàn- passou a representar o caminho que conduziu Sàngó à divinização como Òrìsà, em cuja base são depositados os sacrifícios e as oferendas. Quanto a Oya, companheira até os últimos momentos de Sàngó, então sozinha, resolveu retornar a Tápà, mais precisamente à cidade de Irá, sua terra de origem, lá desaparecendo no interior da terra, surgindo depois sob o encanto dos ventos predecessores das tempestades, dos raios e trovões. Em sua memória, o povo yorubá associou-a ao rio Níger, dando-lhe o nome de Odò Oya, cujo delta, formado por nove cursos d'água, reverencia seus nove filhos postos no mundo.


CONCLUSÃO:


Sàngó representa o princípio da justiça, é visto como justiceiro de Olódùmarè e cognominado Oba Jàkúta (já: lançar; òkúta: pedras), que seriam os edùn àrá (edùn: machado; àrá: trovão, relâmpago), meteoritos que atingem a Terra. Essas pedras se prestam para os assentamentos de Sàngó nos cultos religiosos.


Seus elementos são o fogo, os raios e os trovões. Apesar de sua natureza violenta, Sàngó possui o poder da fertilidade através das chuvas que se seguem ao som dos trovões, reabastecendo o solo, os lagos e os rios, oferecendo à humanidade uma de suas necessidades básicas.


NOTAS:

  • Òyó: Antigo império yorubá situado na curvatura do rio Níger, ao Norte. Alcançou seu apogeu a ponto de se rivalizar com Ifè. Lá, o culto a Sàngó mereceu uma atenção maior quando se passou a constatar que essa região fica situada na floresta da chuva da Costa da Guiné, que figura como a segunda em todo o mundo em frequência de raios e trovões.
  • Aláààfin: Título dos soberanos de Òyó e que foram os seguintes: 1°- Òránmíyàn; 2°- Àjàkà; 3°- Sàngó, 4°- Àjàkà; e 5°- Aganjú. Como os yorubás costumavam se definir como "Filhos de Odùdúwà", ele costuma encabeçar a lista dos reis de muitas cidades. Como era costume dar primazia a Odùdúwà nas fundações das cidades yorubás, sendo sempre o primeiro soberano, o fato explica a razão de alguns escritores registrarem Sàngó como o 4° rei de Òyó, sendo Odùdúwà o primeiro.
  • Ofò: Recitações de encantamentos.
  • Osé: Símbolo de Sàngó em formato de machado ou chifre de carneiro. Representa seu poder destrutivo. É a representação de dois raios em direções opostas, denotando a condição de que a justiça é cega, sendo a potência do relâmpago comparada à do machado.
  • Dàda: Nome dado às crianças que nascem com um tufo de cabelos em forma de coroa.
  • Èdè: Cidade localizada a Sudoeste de Òsogbo, cujo soberano é denominado Tìmì Èdè.
  • Odó: O pilão. É um dos símbolos por excelência de Sàngó.
  • Orógbó: Fruto em formato de pêssego com semente em formato liso.
  • Kábíyèsí: Saudação que se faz a um rei ou quando se ouve o som do trovão.
  • Bàbáláwo: Sacerdote responsável pela consulta com o plano divino através de diversos sistemas divinatórios denominados Ifá.
  • Dàda Àjàkà: Filho mais velho de Òránmíyàn. Recuperou o governo de Òyó com a abdicação de Sàngó. Posteriormente, foi sucedido por Aganjú, seu filho.